Despesa ou investimento?
Diferentemente das décadas de 70, 80, 90, quando as empresas contratavam operadoras de planos de assistência médica em função de obrigações de acordos sindicais, hoje esse cenário parece bem diferente. Já se percebe uma visão um tanto mais ampliada desse benefício. No entanto, ainda perduram certas confusões quando o assunto é promoção de saúde numa empresa: trata-se de um investimento ou despesa?
Pode ser encarada como despesa quando comparável ao orçamento da medicina ocupacional – que, na maioria das vezes, cumpre a legislação vigente com empresas contratadas para executar o PCMSO (Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional) dentro de uma visão puramente administrativa e nem sempre técnica. Essa despesa tem sido constante em organizações que deixaram que o benefício saúde fosse gerido por áreas de compras, ou financeiras, fugindo completamente da análise de retorno para empresa no que se chama produtividade.
Quando se fala em saúde como investimento numa empresa, falamos claramente em medicina assistencial, seja na qualidade de assistência a doenças – com uma boa escolha de uma consultoria e operadora de saúde – seja na promoção de saúde de seus funcionários e dependentes com programas preventivos de saúde. Hoje, os empresários já têm a percepção de quanto custa essa conta, de como deve ser gerida internamente com relatórios específicos emitidos pelas operadoras de saúde e de como esses relatórios devem ser bem analisados pelas equipes de RH com o apoio total das consultorias de saúde que, até pouco tempo atrás, só atuavam como corretoras de seguros e não muito como orientadores.
Outro aspecto que deve ser encarado como investimento é o estabelecimento de estruturas médicas internas, como ambulatórios com profissionais clínicos ou cirurgiões devidamente preparados para o atendimento ao cliente, capazes de oferecer soluções ou de indicar os funcionários pacientes para consultas já em profissionais especialistas em rede referenciada. Esse é um bom caminho para uma uma redução dos custos em consultas, exames e, conseqüentemente, internações. E, assim, é possível reduzir ou manter em níveis “sãs” o índice de sinistralidade.
Vale ressaltar e enobrecer o esforço das operadoras de saúde que – cada vez mais preocupadas com a evolução dos custos médicos, seja no diagnóstico ou no tratamento – estão criando parcerias com empresas para minimizar impactos no custo do benefício saúde. Um bom exemplo dessas ações em parceria, que também podem envolver consultorias, é a gestão de pacientes crônicos.
No que tange às organizações, algumas já se mobilizaram, criando o GESC (Grupo Estratégico de Saúde Corporativa), que trata das dificuldades encontradas para gerir a medicina assistencial, otimizar o relacionamento com as operadoras de saúde e consultorias com o firme propósito de consolidar esta relação de futuro da promoção de saúde no Brasil. O GESC está aberto a abrigar empresas que necessitam ser orientadas e treinadas para que possam se posicionar e defender o benefício saúde.
Temos de entender que esse benefício será sempre o grande diferencial dentro das organizações, como fidelização de funcionários e retenção de talentos, mesmo que seja caro – mas não o será desde que seja bem gerido. E por falar nisso: na sua empresa, o benefício saúde é uma despesa ou investimento? Vamos iniciar essa nova fase do Blog com essa discussão e, a partir daí, avançar mais no assunto.
Abraços,
Dr Michel Daud Filho
Diretor de Saúde e Qualidade de Vida VIVO
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