Divagações relevantes

No nosso contato dessa semana, pensando nos comentários que recebi com relação aos posts anteriores, julguei que poderia ser agradável dividir com os eventuais leitores algumas questões que me fizeram pensar e outras que, mesmo não justificando um longo artigo, valeriam a pena abordar.

Vamos a elas!

O número de comentários enviados e o número de acessos ao blog é bastante animador. É muito agradável ter um bom retorno daquilo que a gente imaginou que poderia satisfazer os leitores. É interessante a observação da disparidade de comentários, de acordo com os temas abordados. Os artigos sobre obesidade mereceram mais de 40 comentários, seguidos pelos artigos sobre condições de trabalho e licença maternidade. Em compensação os assuntos fumo e álcool foram praticamente ignorados - quanto a comentários, pelo menos.

Fiquei me perguntando: será isso decorrente do fato de que a obesidade é visível, não pode se escondida, e portanto é assunto comentado, com opiniões de todo o tipo, certas ou erradas, ao passo que beber ou fumar são considerados “problema meu e ninguém tem nada com isso…”? Pode ser.

Porém, na realidade, é importante que se reconheça que todos são problemas de saúde e merecem ser abordados, discutidos e compreendidos. No momento em que as empresas estiverem preocupadas com esses temas, poderão seguramente contribuir de modo fundamental para a melhor saúde coletiva.

Algumas notícias:

1 - A Câmara Municipal de São Paulo aprovou o projeto de lei que dava às servidoras municipais o aumento de 4 para 6 meses da licença maternidade: ótimo!

O prefeito Kassab vetou o projeto: péssimo!

A justificativa para o veto foi de inconstitucionalidade, se bem que projetos semelhantes já foram aprovados em mais de 70 municípios, incluindo diversas capitais. O argumento deixa de existir se o projeto for de autoria do Executivo, de modo que o prefeito pode apresentá-lo, ficar com os dividendos políticos, e fazê-lo aprovar.

Logicamente, a aprovação em qualquer nível dá mais força à proposta, o que pode, numa segunda etapa, facilitar sua aceitação pelas empresas privadas. A Sociedade Brasileira de Pediatria e a Sociedade de Pediatria de São Paulo estão mobilizadas para reverter essa situação e contam com o apoio decisivo da sociedade civil.

Quem quiser se manifestar, agindo junto a vereadores ou prefeitura, encontra os endereços no site da SBP. Manifeste-se!

2 - Pesquisa da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, feita mediante entrevista a pessoas na região central de São Paulo, revelou o fato preocupante que um em cada cinco, ou seja, 20% dos paulistanos, ingere alguma bebida alcoólica diariamente.

A pesquisa não detalhou quantas doses essas pessoas bebem mas, segundo a coordenadora da mesma, diretora do Centro de Referencia de Álcool, Tabaco e Outras Drogas, da Secretaria de Saúde, o que é grave é saber que o hábito é contínuo, o que já pode caracterizar dependência.

A única bebida alcoólica que pode ser ingerida diariamente, segundo os estudiosos do assunto, é um copo de vinho que, pelo fato de conter substâncias antioxidantes (flavonóides), é um protetor natural contra arteriosclerose.

3 - A população portadora de obesidade mórbida nos Estados Unidos corresponde a 4,9% do total de habitantes (aqueles que têm Índice de Massa Corporal acima de 40: vide os artigos sobre obesidade). No Brasil esse número corresponde a “apenas” 0,64% da população, o que a princípio pode parecer muito bom - não é. São mais de 600.000 brasileiros que vivem em situação de grande risco, portadores de hipertensão, diabetes, problemas articulares, cardiovasculares e outros.

O mais preocupante é constatar que, há 30 anos atrás, essa porcentagem era de 0,18%, ou seja, esse número aumentou em 255%.

Os mais afetados por esse problema são os mais pobres que, além de nascer com menor desenvolvimento intra-uterino, o que lhes dá menos condição de adaptação, têm sua alimentação baseada em açúcares e gorduras.

Além deles, são as mulheres as maiores vítimas, o que se explica pelas gestações sucessivas, que promovem acúmulo de gordura que não é queimada adequadamente se não ocorrer aleitamento materno pelo tempo necessário.

4 - No próximo, mudando de assunto, vamos falar de dengue? Se vierem com outras sugestões nos comentários, serão acatadas ;) Até lá!

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2 comentários em “Divagações relevantes”

  1. carlos disse:

    Preocupante, porém vejo que cada vez as mulheres estão se cuidando, mesmo aquelas que já passaram por várias gestações. A area governamental, pelo menos em SP, cidade, tambem, investindo em calçadas e parques em que possamos caminhar com mais tranquilidade, ou seja, um otimo exercicio para emagrecimento, desde que não paremos para um sorvetinho do mac.

  2. Nana disse:

    Na verdade, o consumo de álcool em nosso país devia ser alvo de campanhas educativas iguais às que existem contra o fumo; este sabidamente é nocivo à saúde do fumante e de todos ao seu redor; mas o álcool e outras drogas que alteram a consciência e o comportamento colocam qualquer um de nós em risco de vida imediato, como nos acidentes de trânsito, por exemplo. Além da deterioração gradual da saúde física, mental, social. Quantas famílias já não foram destruídas pelo alcoolismo… Além de tudo, há um grande ônus em nosso tão desgastado Sistema de Saúde e Previdência Social, pelos males agudos e crônicos que decorrem do abuso dessas substâncias. Todos nós, usuários ou não, pagamos por isso.
    Até mais!

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