As empresas se preocupam com a saúde dos funcionários?
Nos posts anteriores abordamos questões ligadas ao stress no trabalho, levando a comportamentos como fumar para relaxar tensões, à questão alimentar, com a possibilidade da promoção de educação nutricional e controle de peso e à problemática da trabalhadora-mãe, em função do tempo de licença maternidade. Tentamos buscar trabalhos relacionados a esses assuntos e encontramos um interessante artigo, publicado na Revista Ciências do Ambiente On-line. Edição de fevereiro de 2007, volume 3, número 1, de autoria de Santos e Vajda, do Curso de Graduação da Faculdade de Engenharia Elétrica da UNICAMP.
Nesse trabalho os autores buscaram quantificar a preocupação das empresas para com a saúde do funcionário, analisando a disponibilidade das atividades físicas, de intervalos periódicos para funcionários com atividade repetitiva, a qualidade da alimentação fornecida, as condições de trabalho, visando à prevenção de lesões de esforço de repetição (LER) e o acompanhamento da saúde dos empregados.
Partindo do princípio bem estabelecido da relação positiva entre boa saúde e aumento de produtividade, os autores citam o fato de que estatísticas revelam que 40% dos afastamentos funcionais são motivados por pequenas doenças e mal-estares que poderiam ser evitados por um bom condicionamento físico, como dores nas costas, entorses e outras. Ainda, ressalte-se que, pelo menos 20% dos trabalhadores brasileiros têm problemas de sobrepeso ou obesidade, associados ao sedentarismo e stress. Nessas condições, a preocupação com a saúde dos funcionários torna-se um fato não somente ético como econômico, que deve ser encarado como investimento e não como despesa.
Para a elaboração da pesquisa os autores acima citados contataram 120 empresas, tendo obtido respostas de 74. Dessas, 28 caracterizaram-se como micro ou pequenas empresas. As respostas obtidas foram divididas em dois grupos, um constituído pelas grandes e médias empresas e o outro pelas pequenas e micro empresas. Os resultados, apresentados em porcentagem, mostraram os seguintes números:
Questão 1
A empresa custeia alguma atividade física para seus funcionários ou possui estrutura para a prática de esportes?Respostas
Micro e pequenas
Sim: 57,14%
Não: 42,86%Grandes e médias
Sim: 93,48%
Não: 6,52%
É grande a diferença de comportamento entre os dois grupos, sugerindo que as empresas menores têm menor preocupação com a atividade física de seus funcionários. Por outro lado, o trabalho não define o que foi considerado como estrutura para a prática de esportes, podendo acontecer que uma empresa que tenha um campinho de futebol, utilizado por apenas 5% de seus funcionários, tenha respondido “sim” sem, no entanto, poder ser caracterizada como “preocupada com a atividade física”. Teria sido importante a definição do tipo de atividade física, se orientada ou não, por quanto tempo, com quê freqüência etc para podermos ter uma conceituação mais correta.
Questão 2
São fornecidos intervalos periódicos para os funcionários que exercem funções repetitivas?Respostas
Micro e pequenas
Sim: 79%
Não: 21%Grandes e médias
Sim: 96%
Não: 4%
Há duas observações importantes a serem feitas com relação a esses resultados: primeiro que, para oferecer intervalo não há necessidade de investimento, facilitando muito a adoção dessa prática pelos empregadores. Segundo, o que é um dado importante em todos os resultados obtidos, é o fato de que, das 120 empresas contatadas apenas 60% respondeu ao questionário, o que faz supor que os números negativos, para todas as respostas, seriam maiores, se todas tivessem respondido.
Considerando a importância dessa pesquisa e a necessidade de bem discuti-la, ficamos hoje por aqui, deixando para o próximo post a questão de restaurantes e orientação nutricional, assim como do ambiente de trabalho.
Quem se interessar em ler o referido artigo diretamente, é possível acessá-lo em PDF no seguinte link: Estudo sobre a preocupação das empresas com a saúde dos funcionários
Na minha avaliação, como profissional de saúde, parece-me que temos tema para muitas opiniões e comentários. O que vocês acham, podemos pensar em fazer uma pesquisa semelhante entre os gestores de pessoal que tem acesso ao blog e à revista Melhor?
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29/01/2008 às 12:12
Boa tarde,
Infelizmente as empresas não têm preocupação com a saúde dos trabalhadores. Elas cumprem o que determina a legislação e adotam as medidas que podem reduzir os seus encargos, ou seja, aplicam aquilo que pode ser compensado.
29/01/2008 às 13:02
Gostei muito da máteria. Trabalho com Música em empresas na cidade de Goiânia e tenho obtido ótimos resultados, pois os colaboradores que participam relatam melhoras significativas na produção, integração e comprometimento com o trabalho. Os que só observam ou assistem as apresentações do Coral também indiretamente são afetados… um bom AFETAMENTO, pois, quando a turma vai cada um para a sua seção ou posto de trabalho, a Música “fica no ar, no coração das pessoas” e principalmente no ambiente de trabalho, tornando-o mais agradável e humanizado.
Abs, e Parabéns pela matéria.
Elen Lara, Musicista.
30/01/2008 às 20:28
Muito bom o artigo, gostei bastante de poder ter acesso ao trabalho. Aliás, acho muito interessante essa sua idéia de fazer uma pesquisa sobre empresas/saúde aqui no blog! Melhor ainda se o resultado for publicado não só aqui, mas também na revista
Abraço
30/01/2008 às 21:28
Adorei a matéria, é uma pena que na realidade são poucas as empresas que se preocupam com a saúde dos funcionários. Trabalho em um ambiente que tem muitos computadores e também muito ar-condicionado, as pessoas não aguentam mais de tanto frio, chega a dar dor nas costas. Percebo que os computadores são mais importantes do que os colaboradores, ou seja, os colaboradores podem ficar doentes, mas as máquinas não podem dar defeito. Tudo é uma questão de senso, as pessoas chegam a trabalhar com 4 blusas de frio, luva, cachecol etc. Não precisa tirar o ar-condicionado, mas sim diminuir a potência.
Parabéns pela matéria!!!
2/02/2008 às 10:46
Com certeza iniciamos um debate que será esclarecedor e produtivo. No próximo artigo (depois do carnaval) vamos terminar a análise da pesquisa, também aguardando sugestões sobre como fazer a nossa. Quanto maior a participação, melhores serão os resultados. Vamos contribuir para que a saúde dos funcionários seja mais importante do que a saúde dos aparelhos de ar condicionado!
13/02/2008 às 15:14
Muito boa a matéria. Já que o foco das empresas está em redução de custos, convém lembrar-lhes que ,se o trabalhador tiver uma qualidade de vida no trabalho, ou seja, boa alimentação, ginástica laboral, creches, plano de saúde, etc; as sinistralidades dos planos de saúde empresarial será baixa, diminuirão os afastamentos por doença, depressão, etc e a motivação estará sempre em alta, repercutindo assim no resultado final, inclusive nas reclamações trabalhistas.
16/02/2008 às 20:56
A matéria e os resultados expressam o estágio das relações capital e trabalho. Empresas que estabelecem formas de gestão baseadas em metas rígidas, centradas nos pilares da meritocrácia e da premiação individual, para obterem resultados e ganhos competitivos, não investem em saúde dos trabalhadores. Pelo contrário, a forma e o conteúdo são as causas de várias doenças que guardam relação direta com as relações de trabalho. Realizam algumas ações pontuais, que servem mais com propaganda institucional para o público interno, como para o externo. Hoje o capital dispõe como nunca de um grande excedente de mão de obra, fruto de várias mudanças ocorridas no sitema produtivo, podendo estabelecer modelos de gestão que são fábricas de geração de males à saúde. Quem paga a conta é o estado. Basta verificar os números dos que recebem auxílio doença na Previdência Social. Também é importante destacar, que milhares de trabalhadores em todos os ramos de atividade estão trabalhando doentes, pois não podem procurar assitência médica. Quando retornam são demitidos. Muitas empresas que ” se dizem socialmente responsáveis”, aplicam esta fórmula ignóbil nas relações com os trabalhadores, ou como queiram “seus colaboradores”.
16/02/2008 às 21:17
Os últimos comentários foram extraordinariamente lúcidos, politizados e esclarecidos! Estamos tendo uma oportunidade ímpar para aprofundar a questão do “socialmente responsável”, como muito bem acentuou o Roque, há 20 minutos atrás, e transformar ações pontuais em atitudes realmente positivas. O mercado de trabalho, apesar da alardeada expansão, será cada vez mais ingrato para os trabalhadores, à medida em que o progresso provoca, cada vez mais, menor necessidade de mão de obra, o que aumenta a disputa por posições que exigem maior preparo intelectual. Se não houver uma tomada política de decisão, no sentido de valorizar o elo mais importante das relações de trabalho, O HOMEM, tudo aquilo que se dizia do “capitalismo selvagem” corre o risco de se transformar em verdade. Por isso, consciência política de classe e participação serão cada vez mais importantes! Gestores, manifestem-se!