Verão, carnaval e cerveja: o que você pensa disso?
A grande maioria, seguramente, pensa que é ótimo - a imagem de praia, festa e relax vem logo à lembrança mediante a simples menção desses temas. Alguns, mais rabugentos, poderão dizer que carnaval é muito barulhento, preferem se isolar. Outros dirão que têm a pele muito branca e que detestam tomar muito sol, mesmo porque cada vez se lê mais sobre os riscos de câncer de pele para quem não se cuida.
Há, ainda, os que não tomam álcool e que, portanto, mesmo gostando do verão ou do carnaval não conseguem ser adeptos dos três itens. Enfim, todas as combinações são possíveis.
O que quero trazer hoje, para discussão e reflexão, é o que tem parecido para muitos, incluindo as sociedades médicas, o exagero e descontrole da propaganda de bebidas alcoólicas, especialmente nesse período do ano. Não vem ao caso, como diriam os homens de marketing das cervejarias, que a lei permite, que estão dentro do horário liberado para tal, que o teor de álcool é baixo nas cervejas, que a recomendação é de consumo moderado etc…
O que importa, na realidade, é que o mundo sabe muito bem que a exposição a qualquer tipo de droga, principalmente se for precoce, expõe as pessoas a riscos, no sentido de passar de pequenas para grandes quantidades, de drogas leves a pesadas, enfim, a passar de consumidor eventual a adepto e viciado. Mas será que uma inocente cervejinha é tão perigosa ou esse tema está sendo abordado de forma terrorista?
Os que freqüentam as praias mais badaladas do nosso litoral maravilhoso, nas férias de verão, não podem deixar de notar a superexposição das pessoas à propaganda de bebidas, que é feita por meio da instalação de tendas com todo tipo de atrativo para jovens: concursos de beleza, presença de gente conhecida e bonita da televisão (aqueles dos cinco minutos de fama…), músicas do momento, enfim, uma parafernália montada para atrair jovens, e que não tem como falhar.
Os que pararam para assistir, ao vivo ou na TV, os desfiles de carnaval foram bombardeados o tempo todo por uma sucessão de mensagens, ora de uma marca ora de outra, vindas de São Paulo, Rio ou Bahia, mostrando o quanto você pode ficar bonito, atrair mulheres lindas, ser forte, ser igual a artistas, etc, etc, se consumir esta ou aquela cerveja.
Crer que esta doutrinação não exerce efeito, a não ser nos fracos, é um erro grave, que os números desmentem. Vamos a eles:
Levantamento nacional, realizado pela Secretaria Nacional Antidrogas e pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas e Psicotrópicos (Cebrid) ouviu 8.589 pessoas de 107 cidades brasileiras com mais de 200 mil habitantes, entre outubro e dezembro de 2001. Os dados são assustadoramente preocupantes:
Nas idades entre 12 e 17 anos 48,3% dos adolescentes tomam bebidas alcoólicas regularmente, sendo 52,2% dos meninos e 44,7% das meninas. Nessa faixa etária a dependência de álcool atinge um percentual de 5,2% dos adolescentes, em todo o país!
Corroborando o raciocínio de que as coisas não se separam e, pelo contrário, uma estimula a outra, temos os seguintes números: o primeiro contato com o álcool se dá, em média, aos 12,8 anos, quase junto com o tabaco (12,5), ao passo que o primeiro contato com a maconha se dá aos 13,9 anos e, com a cocaína, aos 14,4 anos. Por isso os especialistas acham que as drogas pesadas raramente representam a primeira escala na vida de quem será um viciado e que o uso de bebidas é o passo inicial dos jovens no triste caminho das dependências.
Continuarei nesse tema no próximo post, abordando as conseqüências físicas do consumo de álcool, a nossa legislação quanto ao assunto e as conseqüências desses fatos. Vamos agitar essas idéias, pensar nesse problema, sugerir medidas para melhorar essa situação!
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