À beira do abismo Conheça alguns problemas que a dependência química provoca no ambiente de trabalho. E saiba o que fazer para evitá-los
por Cybelle Young
"Eu posso tudo". Jefferson Lima diz que esse era o sentimento que o movia todos os dias. Com um quadro de dependência química cruzada (álcool e cocaína), ele não se considerava um adicto das drogas.
No dicionário, adicto é sinônimo de dependente, termo técnico para denominar a pessoa que não consegue largar um hábito nocivo.
Para os dependentes químicos, é muito mais do que isso: é o ato de admitir que não se tem controle sobre a própria vida.
Aos 31 anos, Lima começou a trabalhar na Embraer como auxiliar administrativo. O ano era 1986, época de Plano Cruzado e Copa do Mundo. Hoje, vinte anos depois, Lima diz que vai torcer pela seleção brasileira mais uma vez. Mas garante que o melhor título já foi conquistado: "O de uma pessoa que venceu um grande desafio e acordou para a vida".
Lima revela as razões pelas quais não acreditava que possuía um grave problema. Tinha um bom desempenho profissional e estava determinado a consumir as drogas somente nos fins de semana. Por isso, achava que tinha a situação sob controle. Mas, cinco anos depois, o cenário fictício caiu por terra.
A essa altura do campeonato, ele já era administrador do aeroporto de São José dos Campos, em São Paulo. E já não era um funcionário exemplar: passou a se atrasar com freqüência, a faltar no trabalho e a ter problemas com os clientes. Até que teve um acidente de carro.
Seu chefe percebeu que havia algo errado e o chamou para conversar. "Ele me contou que havia várias reclamações a meu respeito. Disse que meu humor não era mais o mesmo, que eu havia me transformado em um funcionário muito instável e que tinha informações sobre o meu consumo de drogas dentro da empresa", lembra Lima.
Mesmo diante de tantas evidências e da postura receptiva do chefe - que o orientou a procurar a assistente social da empresa - ele conta que teve uma atitude arrogante. "No auge da minha prepotência, neguei tudo e pedi para ser demitido. Meu chefe insistiu. Eu respondi: 'Está bem, até falo com ela, mas depois vou embora'".
Roberto Monção
Lima: acabar com o estigma de
"uma vez drogado, sempre drogado"
Na conversa com a assistente social, Lima foi logo dizendo que não tinha nenhum problema: "Só porque tomo umas e outras, estão pegando no meu pé. Conheço gente que bebe muito mais do que eu e ninguém fala nada". A arrogância continuava, mas quando a assistente social perguntou se ele sabia que o alcoolismo era uma doença, Lima se deu conta de que estava à beira do abismo.
Acidentes, diminuição da produtividade, problemas de relacionamento e de segurança. Esses são alguns dos efeitos que a dependência química provoca no ambiente corporativo. O que antes era varrido para debaixo do tapete transformou-se em questão prioritária para os gestores de recursos humanos. Os números desse quadro falam por si. Para se ter uma idéia, estudos da Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostram que:
Os usuários de drogas e álcool faltam ao trabalho de duas a três vezes mais do que os outros empregados;
Funcionários com dependência química podem precisar utilizar a assistência médica ou o seguro-saúde três vezes mais que os outros empregados;
Em algumas empresas, foi constatado que de 20% a 25% dos acidentes envolvem pessoas intoxicadas, que se machucam sozinhas ou ferem outras pessoas;
A oferta de drogas e álcool durante o expediente contabiliza de 15% a 30% de todos os acidentes de trabalho.
Segundo Marcelo Niel, coordenador do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (Proad), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), apesar desses dados, muitas empresas ainda relutam em tratar do assunto abertamente. "Existe uma espécie de tabu. Isso porque há recomendações claras da própria OIT e das Cipas", declara. Esse receio em abordar a questão das drogas muitas vezes, explica, pode ser percebido na postura do chefe em acorbertar os erros de quem é dependente químico. Trata-se na opinião dele, de um mal começo para tratar o funcionário que usa drogas.
O toxicologista Ovandir Alves Silva, coordenador do Instituto Brasileiro de Estudos Toxicológicos e Farmacológicos (Ibet), é enfático: "Não há cura definitiva para a dependência química. A pessoa está sempre em recuperação". No entanto, ele destaca que os programas de prevenção que costuma acompanhar têm apresentado bons resultados: em média, o índice de recuperação é de 80%.
Antonio Larghi
Silva, do Ibet: programas
sem repreensão ao usuário
Além do Ibet, Silva também é diretor científico do Maxilab, um dos laboratórios que fazem análise toxicológica no Brasil, e descreve o modelo que considera ideal para as empresas que querem prevenir e combater a dependência química:
O primeiro passo é adotar uma política transparente e objetiva sobre o problema. É preciso que todos os funcionários tenham conhecimento por escrito das medidas a serem adotadas. E que a empresa vai manter uma postura participativa, não punitiva, ao reconhecer que a dependência química é uma doença;
Em seguida, realizar palestras de esclarecimento e conscientização a todos os colaboradores;
Depois das palestras, há duas formas de integração: a adesão voluntária ou sorteio aleatório para exames toxicológicos. Nesse ponto, Silva destaca que 99% dos participantes apresentam-se por vontade própria.
Com a abordagem, são aplicados os testes toxicológicos;
Caso o resultado seja positivo, a equipe vai identificar se o uso foi ocasional ou se há um problema real por meio da análise de desempenho e do comportamento da pessoa. Ou seja: identifica-se o grau de dependência e as possíveis causas de utilização das drogas;
Uma vez feito o diagnóstico, o funcionário recebe aconselhamento, tratamento ambulatorial ou internação. Nesse último caso, o afastamento é apresentado como férias ou licença e apenas o chefe é informado, a não ser que o funcionário autorize a divulgação.
Nesse programa, a família do usuário só é informada se ele consentir. Com a anuência do dependente químico, os familiares (considerados co-dependentes) são envolvidos no tratamento, recebem apoio psicológico e são orientados a não mentir nem omitir o que acontece com a pessoa em casa (por exemplo, se está de "ressaca", a família não pode dizer que o funcionário está com febre).
O toxicologista ressalta que, apesar de o tratamento ser confidencial, muitas vezes os próprios funcionários fazem questão de ser agentes multiplicadores, para ajudar os demais colegas a enfrentar o problema. Foi o que aconteceu com Lima.
Ao perceber que sua carreira estava ameaçada, ele decidiu se internar num centro de tratamento. Mais do que um trabalho de conscientização, era a chance de retomar as rédeas de sua própria vida. "Fiquei 37 dias internado, fiz um pós-tratamento de 6 meses e fiquei mais 4 anos na Embraer". Lima tem certeza de que o apoio do chefe e da empresa, que custeou o tratamento, foi fundamental para sua recuperação.
Para ajudar outras pessoas na mesma situação, Lima resolveu sair do emprego e abrir uma consultoria de prevenção à dependência química. Experiência não lhe faltava. Reconhecimento também: a própria Embraer é hoje uma de suas maiores clientes. "Na época, meu chefe até brincou: 'Mas agora que você está bem, vai embora?' Respondi com uma frase que se tornou meu principal objetivo: quero acabar de vez com o estigma de 'uma vez drogado, sempre drogado'". Em 2000, Lima passou a trabalhar em parceria com o Ibet. "Se o exame toxicológico já existisse naquela época, talvez meu problema fosse detectado no estágio inicial e eu não sofresse tanto."
Silva explica que os exames toxicológicos são um meio muito eficaz no mapeamento da dependência química, mas devem sempre ser focados na prevenção - nunca configurar um ato de repreensão ao funcionário. Além disso, ele afirma que o pós-tratamento é fundamental, pois a reincidência faz parte do processo de constante recuperação do dependente. "Há empresas que oferecem acompanhamento nos cinco anos seguintes à internação", diz.
Segundo a Organização Mundial de Saúde, 10% da população mundial têm problemas relacionados à bebida. Mesmo assim, no Brasil, apenas 150 empresas realizam testes toxicológicos preventivos, conforme contabiliza Silva. "Esse número ainda é muito baixo se compararmos com os EUA, que produzem 100 milhões de exames por ano. Lá, qualquer pessoa que trabalhe com transporte é obrigada a passar pelo teste. Aqui, apenas algumas transportadoras de cargas adotaram o procedimento, em decorrência do alto índice de acidentes", aponta Silva.
Teixeira, da Samarco: salvar a pessoa
antes que chegue ao fundo do poço
Tratar em vez de punir. Essa postura parece ser um consenso entre as empresas consultadas por MELHOR. O gerente de relações do trabalho e qualidade de vida da Samarco Mineração, Cláudio Teixeira, faz questão de enfatizar uma expressão popular: "cair a ficha". Segundo ele, a política adotada pela organização começa antes e vai além do tratamento químico. "Tem de cair a ficha da pessoa. Só a partir desse momento a conscientização sai da teoria e começa a gerar resultados. Assim, salvamos a pessoa antes que ela chegue ao fundo do poço", destaca.
Teixeira explica que, a partir de 1998, a Samarco passou a oferecer tratamento aos funcionários que assumissem possuir algum tipo de dependência química. "Mas como a adesão era voluntária, as pessoas se apresentavam com um estágio avançado da doença. Diante dessa constatação, resolvemos adotar uma política preventiva", ressalta.
Em 2003, a empresa lançou o Programa de Prevenção, que abrange funcionários de toda a hierarquia e seus familiares. Além do trabalho de conscientização, as pessoas passam por um treinamento específico, assinam um termo de responsabilidade e ficam sujeitas aos testes toxicológicos aleatórios.
Teixeira destaca algumas circunstâncias de aplicação desses exames:
Testagem admissional;
Testagem motivada: quando o chefe detecta um comportamento muito diferente ou perturbador do funcionário, como queda acentuada de produtividade e ausências cada vez mais freqüentes. Nesse caso, o líder precisa consultar seu próprio superior antes de solicitar que o subordinado seja submetido ao teste (para evitar que conflitos pessoais interfiram no julgamento);
Testagem pós-acidente: válida somente para acidentes ocorridos durante o expediente, no local de trabalho;
Testagem aleatória: os funcionários estão cientes de que, a qualquer momento, podem ser submetidos a um exame toxicológico sem aviso prévio;
Testagem pré-funcional: direcionada aos funcionários que realizam atividades de risco (por exemplo, subir em um andaime), realizada diariamente;
O gerente da Samarco explica que se o resultado do exame der positivo, o profissional passa por uma avaliação específica para identificar se o consumo da(s) droga(s) foi ocasional ou se já faz parte de um quadro de dependência química. Além disso, não só o empregado como também toda a família recebe orientação psicológica.
Otimista com a evolução do programa, Teixeira chama a atenção para um resultado: desde que a política de prevenção foi implantada na empresa, os índices de internação de dependentes químicos diminuíram em 4 vezes. "Conseguimos orientar a pessoa no início do problema, antes que ela chegue ao ponto de ser internada."
A Johnson & Johnson (J&J) também está entre as empresas que apostam na prevenção e recuperação de dependentes químicos. Prova disso é a existência do Programa de Assistência ao Empregado (PAE), que há 25 anos desenvolve projetos voltados à atenção psicossocial dos funcionários. Entre eles está o Programa de Dependência Química, um dos pioneiros no Brasil, que abrange não apenas o tratamento contra substâncias ilegais (como maconha e cocaína), mas também a dependência de drogas lícitas (como bebidas alcoólicas e cigarros).
Mônica Pereira, gerente de RH da J&J em São José dos Campos (SP), diz que, atualmente, não há nenhuma dificuldade em falar sobre o tema na empresa. "Desde o início do programa, todos os gestores foram treinados para identificar e, sem constrangimento, trazer o problema para o RH. Mostramos que é uma boa oportunidade para tratar o funcionário", diz. Ela reforça que o PAE faz parte da filosofia da organização, traduzida em sua carta de princípios denominada "Nosso Credo" escrita há mais de 50 anos. "Nela, fica claro que a J&J é responsável pelos seus empregados, em todo o mundo. Não atentamos para os custos de uma recuperação, mas para nossa responsabilidade em relação ao colaborador", diz.
Mônica conta que o índice de recuperação, em geral, é de 70%. "Apenas nos casos de tabagismo esse número é menor, em torno de 40%, já que o tabaco causa mais dependência", acrescenta. E a recuperação, segundo ela, vai depender também do interesse do funcionário. "Trata-se de uma questão de consciência dele e que envolve sua empregabilidade." Ela explica que o funcionário que adere à campanha recebe tratamento individual e em grupo, no próprio local de trabalho e com cobertura integral da J&J. Além disso, os familiares do empregado também têm acompanhamento terapêutico durante todo o processo.
A psicóloga Izabel Rivas, uma das responsáveis pelo PAE na J&J, garante que a participação no programa de prevenção não compromete a imagem do funcionário. "Todo o trabalho é confidencial e em nada afeta a permanência da pessoa dentro da companhia. Nosso objetivo é ajudar, nunca punir. A pessoa sempre tem a chance de se tratar", observa.
Mas, para que essa oportunidade se estabeleça, o funcionário precisa admitir que possui um problema sério e que precisa de ajuda. "A negação é uma característica da própria dependência química. Por isso, temos uma equipe especializada no assunto, que utiliza técnicas de abordagem para facilitar a aceitação da doença e motivar a participação no tratamento", ressalta Izabel.
Ela explica que o tempo médio de recuperação dos usuários do programa é de um ano de tratamento ambulatorial e que apenas em alguns casos ocorre a internação em clínica especializada (o que é 100% pago pela empresa), em um período entre 30 e 45 dias.
"Há situações mais complicadas. Por exemplo: quando há depressão associada ao alcoolismo ou dependência de cocaína associada a outro transtorno psiquiátrico. Independentemente do quadro clínico, é importante lembrar que a dependência química é uma doença crônica e exige manutenção constante". Izabel destaca que as recaídas também fazem parte do processo e, quando isso acontece, a pessoa pode retornar ao programa. "Temos responsabilidade social. Investimos sério na recuperação do funcionário, em vez de simplesmente demiti-lo e despejar o problema para a sociedade".
Dudu Leal
Leda, do Sesi: nada de
testes toxicológicos
Nada de testes toxicológicos. O foco do Programa de Prevenção ao Uso de Drogas no Trabalho e na Família do Serviço Social da Indústria do Rio Grande do Sul (Sesi-RS) é o caráter preventivo e educativo. O projeto começou em 1995, com a realização de palestras em parceria com o Escritório das Nações Unidas Contra Drogas e Crime.
Hoje, o programa alcança cerca de 80 mil pessoas e está implantado em 80 organizações do Rio Grande do Sul, 20 de outros estados brasileiros e quatro empresas da Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai, além de quatro escolas.
Segundo a coordenadora do programa, Leda Pereira, a tecnologia foi desenvolvida pelo Sesi-RS e é repassada às outras regionais que, por sua vez, aplicam o projeto nas empresas locais.
Durante 18 meses, o Sesi promove a prevenção dentro da companhia, faz a capacitação dos gestores e fornece o certificado. E se a empresa atuar na comunidade, repassando o programa de prevenção, recebe o Selo Prevenção Sesi.
Ela explica que não há identificação dos usuários de drogas e a adesão é voluntária. O trabalhador participa das atividades, faz uma auto-avaliação e decide se vai procurar a ajuda do Comitê Reabilitador, formado por médico, psicólogo, assistente social e enfermeiro."São atividades que ressaltam a cultura da empresa e, mais do que isso, valorizam a vida no dia-a-dia, a fim de melhorar hábitos e comportamentos dos funcionários", finaliza.
Vodca e óleo além da conta Um acidente fez o mundo acordar. Em 1989, um petroleiro da Exxon Valdez chocou-se contra um recife na costa do Alasca, provocando um dos maiores desastres ecológicos da história. Estima-se que 40 milhões de litros de óleo tenham sido derramados na área, causando a morte de milhares de aves e centenas de mamíferos, além de prejudicar a renda de 14 mil pescadores.
Com o episódio, a empresa desembolsou mais de 6 bilhões de dólares para o pagamento de multas e indenizações, além dos gastos com a limpeza das praias e águas do Ártico. Mas o pior da história foi quando o capitão do navio, Joseph Hazelwood, admitiu ter tomado algumas doses de vodka um pouco antes de zarpar. Para a surpresa de muitos, a justiça americana impôs uma pena leve: a prestação de serviços à comunidade. Apesar disso, o incidente fez soar um alerta.
As empresas (especialmente as norte-americanas) passaram a considerar o risco do trabalho realizado sob o uso do álcool e outras drogas. Surgiram, então, os chamados exames toxicológicos.
Setores e categorias de trabalhadores mais afetados
Pesquisas realizadas em empresas também têm ajudado a identificar não apenas os setores mais propensos ao consumo de drogas, mas também as razões pelas quais os problemas acontecem mais em determinadas indústrias e profissões.
Segundo informações da OIT, na zona de maior risco foram apontados: a indústria de alimentação e os serviços de buffet; o setor de transportes e de navegação marítima; o segmento de construção; os trabalhadores de linhas de montagem; os militares; e os setores de entretenimento e recreação.
Em termos gerais, os trabalhadores da base da pirâmide, os mais jovens e os homens são os mais propensos a abusar da ingestão de álcool e de outras drogas. Entretanto, o problema não está restrito aos funcionários menos graduados. De acordo com os dados da entidade, percebe-se um alto consumo de substâncias químicas também entre os diretores de companhias, advogados, médicos e policiais.
Algumas características relativas ao trabalho são reconhecidas como catalisadoras do maior consumo de entorpecentes: estresse ocasionado pelo trabalho, modelos/normas ocupacionais, a disponibilidade de drogas no local de trabalho e os longos períodos longe da família. Por outro lado, a conscientização no ambiente corporativo e as campanhas de prevenção têm sido fundamentais na redução da dependência química.
Problema de estar nas alturas Em 1990 o New England Journal of Medicine divulgou um estudo feito com pilotos de avião que reforçou a tese de que um nível relativamente alto de falhas pode ocorrer depois do consumo de álcool, ainda que seja em pequena quantidade. Os pilotos realizaram tarefas rotineiras em um simulador, sob três diferentes graus de alcoolismo. Com os testes, obteve-se os seguintes resultados:
Antes da ingestão de qualquer quantidade e tipo de bebida alcoólica, 10% dos pilotos não puderam realizar as operações corretamente;
Depois de chegarem à concentração de 0.10/100ml de álcool no sangue, 89% dos pilotos não executaram as ações com perfeição;
Catorze horas mais tarde, já sem os efeitos do álcool no organismo, 68% deles ainda não efetivavam as operações corretamente;