Gerindo relações mais complexas
Vicky Bloch

A importância do conhecimento sobre a individualidade está no cerne da estratégia de qualquer negócio
Nos últimos sete anos, aproximadamente, os organizadores do CONARH (Congresso Nacional sobre Gestão de Pessoas), com o qual tenho tido a oportunidade de colaborar, têm percebido uma crescente participação de profissionais de outras áreas, que não do RH, nesse evento. O que isso significa?

Em uma primeira análise, certamente encontraremos muitos participantes que não atuam em RH, mas que integram um universo cada vez mais amplo e mais interessado em tudo o que diz respeito à gestão de carreiras - a de sua própria e as de outros, bem como ao desenvolvimento da liderança. O sucesso de publicações como a revista MELHOR - Gestão de Pessoas e de livros que tentam decifrar o ser humano confirmam essa tendência. Nesse sentido, o CONARH é o principal fórum de excelência de debates e de atualização no Brasil.

Porém, a meu ver, o que continua­rá ampliando o número de inscritos não vinculados ao RH é a complexidade que a gestão de pessoas adquiriu nas empresas. Chefiar uma equipe não era objeto de estudos tão aprofundados enquanto prevaleceu a simples autoridade do posto. Valia mais o ditado "manda quem pode; obedece quem tem juízo".

Hoje, no entanto, a liderança se exerce pela influência e não pela força. Motivar pessoas a dar o melhor de si por uma causa é uma competência muito valorizada nas organizações. E conseguir isso em um ambiente de diversidade sem igual na história requer uma grande habilidade.

Indivíduos sempre foram únicos interiormente, mas até bem pouco tempo nos esforçávamos para seguir padrões de comportamento e cumprir expectativas. Atualmente, ainda vigoram alguns limites do relacionamento social, mas o ser humano vem sendo encorajado ao autoconhecimento, a buscar a felicidade a seu modo, a ser, enfim, o que é. Desse fenômeno aflora uma miríade de pensamentos e atitudes, todos igualmente respeitáveis e que podem contribuir de alguma forma com a evolução dos negócios e da sociedade.

Liderar na diversidade é saber ouvir e potencializar pessoas e a ação em equipe. Ocorre que as diferenças não estão apenas no jeito de ser de cada um, mas também nos novos e variados vínculos de trabalho. O líder precisa obter os melhores resultados dos funcionários diretos, de terceiros, daqueles contratados por projeto, dos que prestam serviços a distância, dos que passam apenas parte do dia na empresa e de expatriados, com outras culturas e costumes.

Estão ali, analisando o tempo todo o exemplo do líder e dispostos a segui-lo, se incorporarem à mesma causa, jovens talentos da geração de seus filhos, com outros valores e crenças sobre a vida e o mundo, pessoas experientes e guiadas por questões mais pragmáticas ou mais existenciais, gente com a ambição de sucedê-lo, os politicamente engajados, os estritamente técnicos e os que buscam um significado para cada dia.

O líder tem ainda de se relacionar com seus pares, superiores, no Brasil e no exterior, com clientes, acionistas, consumidores, imprensa, governo, comunidade, concorrentes e manter o seu network ativo. E como indivíduo, claro, cuida de seus papéis junto aos filhos, parceiro, amigos e familiares, além do próprio corpo, da mente e da alma.

É um grande desafio diário, sem dúvida, mas esse é o caminho para o desenvolvimento sustentável, e não por acaso tema do CONARH 2007 ABRH. A crescente importância do conhecimento acerca da individualidade extrapolou as fronteiras do RH e está no cerne da estratégia de qualquer negócio. O próprio termo Recursos Humanos foi substituído por Gestão de Pessoas na nomenclatura do CONARH. Sinal desses tempos em que todos somos gestores de relações, o tempo todo.


Vicky Bloch é diretora da Vicky Bloch Associados
 

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